O AUTISMO QUE NINGUÉM FALA E NINGUÉM VÊ

08/12/2019

Dra. Regiane Souza Neves

A mídia nos mostra muitas histórias enternecedoras, como a da criança autista que vira técnica do time de basquete da escola, ou a do menino que vai para o baile de formatura com a menina mais bonita da sala, ou a da menina com autismo que é votada a mais bela do baile, ou o mini gênio que é craque em matemática, ou ainda histórias glamourosas no cinema de autistas médicos, cientistas, escritores etc, E CLARO QUE TUDO ISSO É SUPER IMPORTANTE (eu tbm faço postagens de histórias inspiradoras), mas infelizmente pouco se fala do autista que ninguém "vê".

Porque, para cada menino com autismo que é técnico do time de basquete da escola, há 20 outros meninos com autismo que se sujam de fezes, que não verbalizam, que não se alimentam normalmente.

Para cada menina com autismo que é eleita a mais bela do baile, há 30 outras meninas com autismo que arrancam os próprios cabelos e se arranham até sangrar.

Para cada menino com autismo que vai ao baile de formatura, há 50 outros meninos com autismo que batem a cabeça até arrancar os próprios dentes, convulsionam, chutam, batem e machucam outras pessoas.

Para cada autista considerado "superdotado", há milhares de autistas que mal conseguem ir para a escola.

Esse é o autismo de que ninguém fala. Esse é o autismo que ninguém quer ver.

É claro que todas as conquistam contam, mas nem todas as crianças autistas se tornarão o Lionel Messi ou o Bill Gates (ambos declarados autistas), principalmente aqueles que, infelizmente, por diversos motivos não tem acesso as técnicas terapêuticas, metodologias educacionais adequadas e programas de saúde.

Os pais, na maioria das vezes sem nenhum apoio, se sentem arrasados, vulneráveis, desamparados e na necessidade de "isolar" seu filho também se isolam, pra evitar constrangimentos, julgamentos e preconceito. É mais do que necessário termos consciência para não glamorizar demais algo que pra muitos é um enorme sofrimento. Aliás, até mesmo os Aspergers ou Savants são diferentes, não desenvolvem as mesmas habilidades e têm comportamentos inapropriados.

Nenhum autista é igual ao outro, os níveis servem apenas para identificarmos o nível de comprometimento e auxilio que eles necessitam. Para milhares de famílias o autismo pode ser muito difícil, o autismo pode ser triste, o autismo pode ser violento, o autismo pode estar isolando as pessoas do mundo.

Por isso, quando tiver a oportunidade de encontrar uma família com um autista desses que todos fazem de conta que não vê, tenha empatia, compaixão e inteligencia para acolhe-la, atendê-la, ampará-la, muitas vezes a única coisa que a família precisa é de um olhar acolhedor e menos julgamento.

Recebo famílias esgotadas, tristes pelo fato de não ter um atendimento humanizado com os diversos profissionais que atuam nos serviços públicos e privados. Por isso, é tão necessário que principalmente profissionais da saúde e educação se capacitem e compreendam as diversas necessidades humanas.

Dra. Regiane Souza Neves

  • Neuropsicopedagoga
  • Neuropsicóloga
  • Psicopedagoga
  • Psicoterapeuta
  • Psicanalista
  • Psicomotricista
  • Orientadora Vocacional e Profissional

Diagnóstico e intervenção para os problemas emocionais, cognitivos e sociais que interferem na rotina da vida diária, aprendizagem e comportamento.

Consultórios em Osasco, Alphaville e São Paulo. Atendimento com hora marcada para crianças, adolescentes, adultos e idosos. Não atendo convênios e não realizo atendimento on-line. Whatsapp 11 95973-6360.