MÉDICO É PRESO APÓS RECLAMAR DE ATRASOS NO SALÁRIO

05/03/2019

Por Marcelo Neves

Rogério Perillo, que clinicava no pronto-socorro municipal de Guaratuba (PR), disse que estava há 60 dias sem receber salário e informou que, por isso, só atenderia pacientes de casos urgentes; polícia foi acionada e profissional foi algemado e detido em frente ao hospital.

Pacientes ligaram para a polícia alegando que o médico se negou a realizar atendimentos; o Médico nega

Posição da prefeitura

Segundo a prefeitura, Perillo é contratado pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde do Litoral do Paraná (CISLIPA) e estava na cidade apenas para trabalhar durante a Operação Verão, o contrato venceria no dia 10 de março.

A Secretaria de Saúde afirmou que a prefeitura não tinha conhecimento do atraso de pagamentos, pois o dinheiro que vem do governo e é depositado na conta da prefeitura - para imediatamente ser transferido ao CISLIPA - já foi repassado antes do início da Operação Verão.

Após a prisão do médico, o CISLIPA afirmou ao secretário que a situação será resolvida. No entanto, a Prefeitura de Guaratuba também declarou que irá tomar medidas jurídicas contra o CISLIPA.

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Em um vídeo gravado, pelo celular de uma testemunha, é possível ver o momento em que o médico é levado algemado pelos policiais militares. Nas imagens ele está visivelmente alterado e grita: "Me filma, 60 dias sem receber, colocando eu aqui preso, algemado, to algemado, socorro, socorro. Tô há 60 dias sem receber e tão fazendo isso comigo. Tão me levando preso.

Conforme Perillo, ele trabalhava no plantão do Hospital Municipal de Guaratuba quando resolveu ir até a recepção da unidade e explicou aos pacientes que estavam aguardando que iria atender somente casos de urgência e emergência e que o salário de parte do corpo médico estava atrasado há 60 dias.

O médico diz que não negou atendimento, ele explica que estava cuidando da transferência de uma criança que engoliu uma moeda há quatro dias. "Ela uma criança que engoliu um corpo estranho, uma moeda, há quatro dias atrás. Portanto, ela já tinha passado por quatro diferentes colegas, na verdade, cinco. Eu solicitei a enfermeira Mariana que a gente encaminhasse essa paciente ao Hospital Regional de Paranaguá, a mesma me colocou na linha com a equipe de enfermagem desse Hospital Regional de Paranaguá, que, infelizmente, naquele momento estava sem o serviço de endoscopia. [...] Então, eu fiquei na minha sala aguardando dentro da minha sala, sem cometer omissão, imperícia ou negligência perante aos outros pacientes. Pois, quem chegava lá com dor de ouvido, com febre, com a reminiscência de agravamento desses sintomas ou risco de morte, eu atendi prontamente".

"Eu fiz três plantões em dezembro e eles me pagaram apenas três plantões. E janeiro e fevereiro? Eu estou há 60 dias sem receber. Quem vai pagar as minhas contas? É isso que eu estou reivindicando", explicou o médico.

Depois de cerca de seis horas detido, o profissional foi liberado na noite de segunda e passou pela audiência de custódia na tarde desta terça-feira (5).

Posição da Polícia Militar

Em nota, o 9º Batalhão da Polícia Militar relatou que o médico resistiu a atuação dos policiais militares e, por isso, acabou sendo encaminhado à delegacia por desobediência, perturbação de ordem pública e resistência.

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