Jovem de Osasco morre após ser atingido por animal não identificado em praia de SP

28/01/2020

Por Marcelo Neves

Um estudante de 16 anos morreu em Santos, no litoral de São Paulo, após ser atacado e sofrer uma perfuração causada por um animal não identificado durante um banho de mar. O acidente ocorreu em Praia Grande, quando Alexandre Lima da Silva Júnior estava a passeio na cidade com a família. A tia do rapaz relatou que o jovem ficou internado por 34 dias e teve diagnóstico de perfuração em órgãos e hemorragia interna. Um salva-vidas disse à família que ele poderia ter sido ferroado por algum animal marinho.

Alexandre morava em Osasco, região metropolitana de São Paulo, e veio passear com a família na cidade litorânea. "A mãe dele, minha prima, é associada a uma colônia de férias para qual fomos em Praia Grande. Chegamos no dia 21 de dezembro na praia, por volta das 12h. Entramos na água eu, ele, a mãe dele, minhas filhas e o meu filho. Estávamos próximos à Avenida Presidente Castelo Branco, no bairro Solemar, com a água na altura da cintura. Teve um momento que o Alexandre mergulhou e segundos depois levantou assustado", diz a professora Alani Paz Lima, de 39 anos, prima do jovem.

Em seguida, a professora relata que a mãe do estudante pediu que ela o ajudasse. "Quando olhei vi um furo no abdômen. Ao sentir aquela dor, ele passou a ficar tonto e começou a cair na água. Eu o segurei e gritei por ajuda", diz a prima.

O jovem foi retirado do mar pelos salva-vidas e banhistas que estavam no local. Ao chegar na areia, Alani relata que questionou o estudante do que havia o machucado, e ele relatou que só "sentiu a pancada e houve um pequeno sangramento". Depois, ela perguntou ao salva-vidas o que poderia ter acontecido. "Ninguém soube explicar o que aconteceu. A suspeita é que tenha sido uma raia, mas não há confirmação", relembra.

A família, então, foi informada que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência demoraria pelo menos 40 minutos. Então, um vendedor que estava na praia ofereceu carona até a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade.

"Na UPA Samambaia tinha várias ambulâncias paradas lá na frente. Pedi ajuda para que alguém tirasse ele do carro e a equipe do hospital ajudou e o levou para dentro. Nessa hora ele já reclamava de tanta dor que não conseguia nem fazer xixi. Colocaram um remédio nele e suturaram", conta Alani.

Após os procedimentos médicos, o jovem foi encaminhado ao Hospital Irmã Dulce, que teria suporte cirúrgico. "Depois da realização de exames, o cirurgião só olhou o ferimento, deu uma apertada e deu alta. Não conseguíamos acreditar, porque ele estava cada vez pior, pálido e vomitando, com febre alta. O enfermeiro também nos disse acreditar que era ferimento de algum animal", relata.

Alexandre então, segundo a prima, foi reencaminhado para UPA. Na unidade, ele também recebeu alta médica. A família começou a perceber novos sintomas e inchaço no abdômen do estudante. "Foi um atendimento superficial. Na hora que ele iria tomar banho para ir embora, desmaiou, teve que voltar para o hospital. Nesse momento, a mãe dele pediu que fosse transferido ao convênio", conta Alani.

O jovem foi encaminhado ao Hospital Frei Galvão, em Santos, onde foi atendido por uma cirurgiã. Segundo a família, ela relatou que o quadro clínico dele era de urgência e teria que fazer um procedimento cirúrgico o mais rápido possível. No dia seguinte, familiares receberam a notícia que Alexandre havia tido órgãos perfurados no incidente.

"A equipe foi muito atenciosa e disse não acreditar que ele tinha tido alta em Praia Grande. Ele estava com perfuração no fígado, no pâncreas e em duas artérias. Tiraram dois litros de sangue de hemorragia de dentro dele". Depois disso, ele ficou internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).

O estudante ainda chegou a ficar consciente por um tempo e ficou internado por 34 dias. Ele passou por quatro cirurgias e, em uma delas, chegou a retirar o baço, segundo a família. Os sintomas foram piorando e o jovem realizou transfusões de sangue. No último procedimento, ele não resistiu, vindo a óbito na última segunda-feira (27).

"Ele era filho único, jovem, estudioso, com uma vida pela frente. A mãe dele não pode ter outro filho. Está muito abalada e desesperada. O pai está muito triste. É uma dor que não desejamos nem ao nosso pior inimigo. Queremos que o atendimento público tenha mais suporte, porque foi muito precário. Não queremos que apareçam outras vítimas deste tipo de incidente", finaliza a prima.

Fonte: G1

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